Siquijor, Filipinas, 17 de Março de 2016

10:00 • SÁBADO

Chegámos a Siquijor! Por outras palavras, chegámos ao paraíso dentro do paraíso!
Siquijor é mais uma ilha, e também província, das bonitas Filipinas situada na região das Visayas Centrais.

Também conhecida como a "Isla del Fuego", pelos espanhóis, ou como a terra das bruxas e dos fenómenos sobrenaturais, pelos locais, esta ilha deixa sem dúvida qualquer um que a visita com a sensação de que é realmente mística. Só a entrada de barco na sua baía azul já denuncia aquilo que podemos encontrar neste pedaço de terra não muito extenso.

Siquijor, Filipinas


Durante esta nossa passagem, que prevíamos ser de três dias mas que depressa se estendeu para cinco, reservámos um bungalow de palhota no outro lado da ilha, numa praia cheia de manguezais. Os manguezais são constituídos por árvores e arbustos que crescem em água salgada e estão entre os mais importantes ecossistemas do planeta.

A praia não era o ideal para banhos mas ver árvores a saírem do mar fez com que todo o cenário parecesse uma pintura.

Para lá chegarmos tivemos de requisitar um triciclo e Irvin foi o primeiro a abeirar-se de nós ainda no cais. De cabelo comprido, queimado pelo sol, sorriso largo e conversa suficiente para nos pôr à vontade, este filipino de gema conseguiu, em menos de dois minutos, triplicar o seu negócio, alugando-nos uma mota para toda a estadia e combinando o transfer do último dia de volta para o porto.

Deixou-nos o número de telemóvel caso mudássemos de planos, deu-nos algumas dicas sobre praias e sítios a visitar e ainda nos aconselhou a ter cuidado com os cães na estrada, visto serem a principal causa de acidentes nesta ilha.

O bungalow, tal como nos dissera Irvin, ficava um pouco isolado das principais atracções mas com transporte próprio e uma dose generosa de boa disposição tudo se ajeitou. Passamos três dias só a ir dormir a casa fazendo, inclusivamente, as sestas da Camila nas viagens mais longas de mota ou nas sombras de alguns coqueiros que fomos encontrando nas diferentes praias por onde nos deleitámos.

Siquijor foi daquelas surpresas que, infelizmente, não temos com muita frequência neste tipo de viagem. Uma ilha linda, com muita diversidade e beleza natural, comida deliciosa, gente simpática, praias de luxo, pouco turismo e relativamente barata.

Começámos por conhecer uma das praias mais distinguidas desta ilha, Salagdoong Beach, não só pela sua beleza mas também pelo seu escorrega e pranchas de salto que fazem as delícias dos mais corajosos. Nesse dia o escorrega estava interdito por causa da maré, que estava baixa e não permitia a aventura com segurança. Eu ainda experimentei o salto e senti-me por instantes a voar para o azul. Sem ter asas que me prendessem no tempo, depressa mergulhei na água e senti a adrenalina nas pernas quando subi as escadas mal presas na encosta.

Nesse dia ainda fomos visitar as cascatas de Cambugahay. Que apesar de menos conhecidas do que as de Luang Prabang, no Laos, não lhes ficam nada atrás!

Com água igualmente azul e a uma temperatura deliciosa, grutas que nos permitiram ver doutro prisma a exuberância de tanta beleza, e ainda cordas amarradas nas árvores para nos podermos balançar e atirar à água como macaquinhos, nestas cascatas sentimos as crianças dentro de nós jubiladas.

Siquijor tem as praias mais belas e privadas em que nós alguma vez tínhamos estado. Quanto muito, encontramos dois ou três locais que rapidamente nos acolhem e metem conversa.
As pessoas por aqui são simples e de carácter amável. Com sorrisos francos rapidamente se estabelecem afinidades e momentos de partilha inesquecíveis.

Nesta ilha foram várias as vezes que a Camila, a brincar com os locais, nos deixou despreocupados o suficiente para nos desconcentrarmos dela e da sua segurança.

Esta gente fez-nos sentir em casa!

Cada praia que descobríamos parecia mais indescritível do que a anterior. Praias e pessoas que nos fizeram esquecer o tempo, que nos deram asas à imaginação e puseram de olhos postos na areia à procura de búzios, conchas e corais para, em pedaços de seda perdida, fazermos nós as nossas próprias lembranças de bijutaria.

Por estes lados ninguém tem stress!

Os pescadores param a cumprimentar os turistas e a observá-los com a curiosidade de quem não vê muitos por aqui. Os empregados do comércio e restauração sentam-se connosco para saberem um pouco mais sobre nós e sobre o nosso país. E as crianças, que falam todas inglês para além da sua língua nativa, querem que paremos na estrada quando passamos de mota para lhes dar cinco! Gritam constantemente: "Hi5"! Até a Camila já estende a mão quando vê alguém passar no caminho!

Todos nos dizem "hello"! Todos nos olham de sorriso rasgado! Todos nos abanam dizendo "bye-bye"!

Ouvimos dizer que do outro lado da ilha havia uma árvore centenária impressionante com uma espécie de tanque na base e peixinhos lá dentro onde podíamos fazer um fish spa – a Balete Tree.

Mais uma vez, pegámos na mota, com a Camila no meio de nós, e subimos a montanha!
Estávamos habituados aos peixinhos minúsculos que constituem os fish spa que já tínhamos experimentado noutras paragens. Quando lá chegámos, e depois de pagarmos bilhete e taxas de estacionamento, deparámo-nos com peixes do tamanho de garoupas que nos fizeram recuar na hora de banhar os pezinhos! Mas, por incrível que pareça, a sensação é ainda melhor, os peixes maiores fazem uma exfoliação mais massajada e por si só mais relaxante também!

A Camila não pôs só os pés dentro da piscina natural, pôs-se toda ela submersa, não fosse esta nossa miniatura uma adicta a qualquer ambiente com água!

Neste dia, e para ficarmos com a volta completa a Siquijor Island, só nos faltava visitar a Paradise Bay e, depois de lancharmos um gelado numa aldeia a meio do caminho, rumámos nessa direcção.

Infelizmente não descemos à Baia. Não era seguro fazê-lo com a Camila ao colo mas nadámos na baía ao lado, numa zona piscatória, cheia de crianças lindas e sorridentes que nos vigiavam cheias de curiosidade.

Claro que, reunidas todas estas condições, aumentámos a nossa estadia e aproveitámos mais uns dias nesta ilha de boas energias. Mas mudámos de vila, e de Larena passámos para San Juan.

A conselho de uma local, hospedamo-nos junto à praia, com o melhor restaurante do sítio do outro lado da rua e caiaques disponíveis para explorarmos a encosta da ilha e apreciarmos o maravilhoso pôr-do-sol daquelas praias.

Nos últimos dias aproveitámos para revisitar a nossa praia de eleição, "Paliton", e para descansarmos das viagens de mota, usufruindo das praias envolventes e do maravilhoso ambiente de San Juan.

Siquijor deixou o Manel com vontade de ficar e com a ideia que o melhor das Filipinas já tinha sido. Eu não! Eu sou optimista e para mim o melhor está sempre para vir. Claro que esta semana será inesquecível e que Siquijor é um paraíso que ainda não foi descoberto por muitos, mas também não acredito que seja por muito tempo, pois o crescimentos em toda a ilha já se faz sentir.

De qualquer modo, hoje voltamos ao porto de Tagbilaran para conhecermos a ilha de Bohol, que só vimos de passagem. Amanhã, com as montanhas de chocolate por perto, amanhã será diferente!

Becas


Íngride Bettencourt tem 33 anos, é directora técnica na Santa Casa da Misericórdia da Calheta, na ilha de São Jorge, Açores, e prefere ser chamada por Becas, nome que usa para assinar o diário de bordo da viagem que, até ao final de Março, vai fazer pelo sudeste asiático, com o marido, Emanuel Silveira (o Manel), de 37 anos, e Camila, a filha, de 2 anos e 9 meses. Becas, vai contar duas vezes por semana todas as peripécias da sua viagem aqui, no site da SÁBADO.

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